Sem amor na alma a vida resseca…

Gostaria de propor um exercício diferente do habitual: um olhar atendo sob o outro. Talvez possa parecer loucura, mas toda loucura tem um pouco de verdade. Então, proponho que ao andar pelas ruas de sua cidade, pare alguns minutos ao deparar-se com um mendigo e antes que tenha qualquer pré-julgamento, o observe com um olhar desprendido. Você consegue encará-lo? Ou vê nele a mesma angustia que há em você?

Um mendigo perambula pelas ruas de uma grande metrópole em busca de algo que amenize sua tristeza, dor e solidão. Com ele carrega apenas um tatame, pensamentos e os adágios do teólogo Erasmo de Rotterdam, autor do livro Elogio da loucura. Um bilhete de sua amada dizendo “Acabou-se, adeus”, o atormenta diariamente. O refrão “ela virá eu sei” torna-se um cântico para aplacar as angustias do mundo, ao mesmo tempo em que ele observa os escombros da vida urbana em detalhes. “É excitante ver o mundo desabando-se. Desde que seja do outro lado da calçada. Ver, em vez de ser, escombros”.

Este é o enredo do romance O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam, de Evandro Affonso Ferreira, lançado pela Editora Record. Evandro é um talento nato, surgiu na literatura em 2000 e logo ganhou todo o amor da crítica. Participou de uma coletânea de contos em Portugal, ganhou em 2010 o Prêmio APCA e venceu o Jabuti.

Talvez você encontre a mesma dificuldade que tive ao começar ler o livro, pois a escrita de Evandro não é uma linguagem simples. No entanto, ao encarar cada linha como um desafio você certamente não conseguirá parar de ler. O livro é uma poesia reflexiva que acalenta, assusta e emociona. Atente-se a fala do tal mendigo que tem muito a ensinar. Existe muito mais sabedoria nas ruas do que podemos imaginar. “Sem amor na alma a vida resseca”, disse o homem que segue em busca de uma razão para viver. Estaríamos todos em busca da mesma razão? “Esquecer para não endoidecer”, parece nos aconselhar em determinado momento. Uma coisa é certa, o mendigo que sabia de cor os adágios de Rotterdam, parece saber mais da vida do que nós, que estamos como testemunhas silenciosas na maioria do tempo.

 

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Sobre Felipe Brandão

Sou jornalista, apaixonado por livros, séries, música, viagens e comportamento. Acredito na magia dos encontros verdadeiros e que escrever purifica a alma, acalma o coração e enche a vida de esperança. Em 2013, criei o @EsquecaUmLivro e desde então tenho tido experiências incríveis. Você também pode me encontrar nas redes sociais como @EuFeBrandao.
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4 respostas para Sem amor na alma a vida resseca…

  1. Celso disse:

    Olá Felipe,

    Tudo bem?

    “Esqueci” 8 livros na semana passada, na Cidade Universitária (USP), segui os procedimentos apresentados no site http://projetoesquecaumlivro.tumblr.com/participe, mas minhas fotos não foram publicadas no site: http://projetoesquecaumlivro.tumblr.com/

    Houve algum problema?

    Obrigado,

    Celso

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