O amor, Mario Benedetti e a vida

Se eu pudesse realizar um desejo literário, se isso não fosse um devaneio, certamente gostaria de ter conhecido pessoalmente Mario Benedetti. Parece uma cobiça insana, mas ele, além de um autor excepcional, sempre conseguiu dar voz aos sentimentos humanos.

Benedetti nasceu em Montevidéu, em 1920. Foi poeta, escritor e ensaísta. Ficou famoso em 1956, ao publicar Poemas de oficina e escreveu mais de 80 livros, sendo traduzido em aproximadamente 20 idiomas. Em 1960, escreveu A trégua, considerado um dos mais importantes livros da literatura latino-americana. Em formato de diário, o livro foi adaptado para o cinema por Sérgio Renan e chegou a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas não ganhou.

A trégua é um livro repleto de questionamentos e inquietações, que conta a história de Martín Santomé, um senhor beirando os 5o anos, que se apaixona por sua nova funcionária Laura. Com um texto primoroso, Benedetti constrói o retrato dos difíceis relacionamentos humanos. Ao ler o livro, provavelmente você não conseguirá se desligar da história facilmente. Os personagens te invadem e te acompanham por dias. Foi assim comigo, até que resolvi arriscar numa nova obra do autor.

Esta semana terminei de ler O amor, as mulheres e a vida, lançado no Brasil pela Editora Verus, livro que reúne os melhores poemas de amor escritos por Benedetti. Poemas cheios de vida, desamor, que, sobretudo, mostra a força das mulheres e deste antídoto contra a morte que só elas possuem que é o amor. “O amor é um dos elementos emblemáticos da vida. Breve ou longo, espontâneo ou minuciosamente construído, é de qualquer maneira um apogeu nas relações humanas”.

Esta coletânea foi escrita durante 5o anos e resgatada por Benedetti como ele mesmo gostava de dizer, como um inventário. Sua escrita sempre revigorante estabelece uma relação afetuosa com os leitores. Alguns destes poemas tornaram-se canções no Uruguai e outros permanecem vivos na memória de muita gente. No poema Última noção de Laura, Benedetti resgata seus personagens do livro A trégua. Uma grata surpresa para os fãs que não conseguem apagar a amargura e a melancolia de Santomé. Nem mesmo a esperança, ainda que singela, de Laura.

Minha poesia favorita é sem dúvida Solidões, onde ele reconstrói o vazio e argumenta com o nada. “Eles têm razão, essa felicidade, pelo menos com maiúscula, não existe. Ah, mas se existisse com minúscula, seria semelhante à nossa breve pré-solidão”.

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Sobre Felipe Brandão

Sou jornalista, apaixonado por livros, séries, música, viagens e comportamento. Acredito na magia dos encontros verdadeiros e que escrever purifica a alma, acalma o coração e enche a vida de esperança. Em 2013, criei o @EsquecaUmLivro e desde então tenho tido experiências incríveis. Você também pode me encontrar nas redes sociais como @EuFeBrandao.
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