Bate-papo “Esqueça um livro”.

20100810112351296

Formada em Letras e Jornalismo, com mestrado em Comunicação pela Universidade de Londres. Leila Ferreira é colaboradora da revista Marie Claire e autora dos livros Mulheres: por que será que elas…? e A arte de ser leve (Editora Globo), foi repórter da Rede Globo Minas por cinco anos e durante 10 anos apresentou o programa Leila Entrevista (Rede Minas e TV Alterosa/SBT), que produziu 13 séries internacionais e por onde passaram mais de 1,6 mil entrevistados. Fonte leilaferreira.com.br

A atriz Denise Fraga (entrevistada por Leila) te descreve como uma pessoa leve. É possível no mundo atual manter-se leve o tempo todo? 

Não. Eu diria que já é difícil manter-se leve parte do tempo. O tempo todo, então, nem pensar…  (rsrsrs) Mas, por mais difícil que seja aprender a ser leve, acho que é indispensável. Afinar o espírito, emagrecer a alma, tentar viver com mais delicadeza e suavidade – nada disso é luxo: é gênero de primeira necessidade.

Falando em leveza. Como surgiu a ideia de escrever o livro A arte de ser leve?

A Editora Globo, que já tinha publicado um livro meu (Mulheres: por que será que elas…?), me propôs escrever algo relacionado a qualidade de vida. Como eu falo há anos, nas minhas palestras, sobre a importância da leveza, sugeri o tema. Não tinha a menor idéia de como iria abordá-lo. Eu só sabia que não queria dar receitas, prescrever saídas mágicas. Sou jornalista, e era como jornalista que queria escrever, ou seja, a partir de entrevistas, depoimentos, relatos pessoais. Saí pelo mundo, pelo Brasil e pelo interior de Minas conversando com pessoas que achava interessantes, tive um trabalho enorme pra selecionar o material (o livro sobre a leveza acabou virando um peso quase inadministrável…), quis desistir do projeto algumas vezes ( e só não desisti porque minha editora, Aída Veiga, uma amiga querida, não deixou), mas no final deu certo.

 É impossível não se emocionar, rir, sentir-se leve ao ler seu livro A arte de ser leve. Dentre as historias contadas, qual tem um significado especial?

Gosto muito da história do epitáfio do engenheiro de Araxá (Minas Gerais). Para quem não leu o livro, Terêncio era a mais leve das criaturas. Vivia cercado de amigos, comia bem, se divertia, não sofria por causa do futuro, planejava só a metade do dia quando acordava (e não via nenhum problema em rever os próprios planos) – ou seja, vivia como poucos. E foi com esse mesmo espírito que ele se despediu da vida. Ao saber que estava doente, com menos de 60 anos, encomendou a um primo seu próprio epitáfio. Hoje, quem chega ao cemitério de Araxá, encontra o túmulo do engenheiro com apenas uma frase escrita, aquela que ele escolheu: “Era só essa que me faltava!”. Leveza até o final.

Tenho uma amiga que costuma meditar para retirar toda a “zica”. Para ela, a meditação funciona como um desentupidor. Você possui algum ritual para sentir-se leve? 

Por mais paradoxal que possa parecer, gosto de ler livros policiais desses bem pesados. Sabe aqueles pocket books americanos? Pois é. Devoro aos montes. Mergulho naquelas histórias de investigações de crimes e me esqueço de tudo. Quando “volto pra realidade”, geralmente volto melhor – o que, no meu caso, significa um pouquinho menos atrapalhada…

Segundo o doutor Ruut Veenhoven (entrevistado por Leila) as pessoas normalmente têm consciência do tamanho de sua felicidade. Para o filósofo francês André Comte-Sponville a felicidade é algo inalcançável, pois desejamos tanto algo e quando conseguimos paramos de desejar. Você acha que a felicidade é algo surreal? Seria algo inalcançável?

Eu digo no meu livro que, depois de correr muito atrás da felicidade, hoje prefiro andar sem qualquer pressa em busca da leveza.  Acredito numa felicidade modesta, com letras minúsculas, que aceita conviver com a angústia, a melancolia, a nossa inescapável precariedade. Será que isso é felicidade mesmo? Não sei. Só sei que essa felicidadefeita de euforia, em estado de efervescência, a felicidade dos comerciais que mostram famílias impecáveis e casais apaixonados… essa não me convence.

Entrevista dada originalmente para meu antigo blog Autoajude-se.

Anúncios

Sobre Felipe Brandão

Sou jornalista, apaixonado por livros, séries, música, viagens e comportamento. Acredito na magia dos encontros verdadeiros e que escrever purifica a alma, acalma o coração e enche a vida de esperança. Em 2013, criei o @EsquecaUmLivro e desde então tenho tido experiências incríveis. Você também pode me encontrar nas redes sociais como @EuFeBrandao.
Esse post foi publicado em Entrevista. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Bate-papo “Esqueça um livro”.

  1. Edinaide Antunes Pereira dos Santos disse:

    Muito interessante a proposta do #EsqueçaUmLivroNaMinhaCasa!
    Especialmente quando estamos fazendo uma campanha na nossa escola para doação de livros, considero oportuno participar deste “desapago literário” e conseguir os 50 livros para a nossa “Estante Livre Padre José. Veja o texto da campanha e endereço para envio dos livros:
    Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade.
    Disputemos a honra de ser construtores de um mundo melhor e de uma sociedade mais feliz!
    Participe da “CAMPANHA ESTANTE LIVRE PADRE JOSÉ”!!!
    Considerando a imensa importância que a leitura exerce na formação global dos nossos alunos,intencionamos expandi-la além do ambiente da biblioteca, ou seja, fazer que a literatura esteja disponível às nossas crianças, jovens e adultos nos horários de entrada e saída, recreio e/ou horários vagos,enfim, todo o tempo, em estantes espalhadas por todo o espaço da escola. Então… Sabe aquele livro de histórias infantis que seu filho já crescido não abre há muito tempo? E aquele gibi já lido tantas vezes que repousa na estante? Aquele livro de poemas, romance, policial, aventura, ficção ou novela que você já leu e se encantou com a narrativa? Para que nossos “meninos” tenham a oportunidade de lê-lo, o projeto Promovendo Leitores, coordenado pela professora Edinaide Antunes, inclui a sua importante participação no sentido de doá-lo à E.E. Padre José Silveira. Os livros podem ser deixados na biblioteca com a servidora presente em qualquer turno (pessoas da localidade) ou enviados pelos Correios para o seguinte endereço: E.E. Padre José Silveira-R. Ramiro Gonçalves, 47, centro;CEP: 39450-000, Varzelândia, MG, pelos parceiros de outras localidades do país.
    Muito Obrigada!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s